Date barato não é date ruim: como sair a dois gastando pouco
Muito casal para de sair achando que não cabe no mês, sem nunca ter feito a conta. A ideia de sair vira sinônimo de jantar caro, jantar caro não cabe, e aí o mês inteiro passa sem programa nenhum. O problema quase nunca é o preço real. É o preço que vocês imaginam.
9 min de leitura

Isto tem nome: pressão financeira percebida, uma das causas mais comuns de casal cair na rotina. Percebida, e não real, porque na maioria dos casos ninguém fez a conta. Só existe uma sensação de que sair é caro, e essa sensação decide sozinha.
Abaixo estão programas separados por faixa de preço por pessoa, os valores checáveis de cada um e, no fim, os quatro lugares por onde o dinheiro escapa sem ninguém notar. Os valores variam bastante entre capital e cidade média, então trate as faixas como ordem de grandeza, não como tabela.
De graça, de verdade
Programa gratuito costuma sofrer de má fama por ser apresentado como consolo. Não é. O que muda a noite é o contexto ser diferente do de sempre, e contexto não se compra.
Pôr do sol num ponto alto
Praticamente toda cidade brasileira tem um mirante, um parque em ladeira ou um viaduto com vista. Chegar quarenta minutos antes e levar alguma coisa de casa para beber.
De graça, duração de 1 hora e meia
Na prática: Busque o horário do pôr do sol do dia. Quarenta minutos antes é a hora em que a luz fica boa; em cima da hora vocês só pegam o fim.
Museu no dia de entrada gratuita
A maior parte dos museus públicos tem um dia fixo de gratuidade na semana, e boa parte dos centros culturais é sempre livre. É a categoria de programa gratuito mais subutilizada que existe.
De graça, duração de 2 horas
Na prática: No dia gratuito costuma lotar depois das duas da tarde. Abertura ou fim da tarde é bem mais tranquilo.
Andar sem destino num bairro novo
Escolher um bairro onde nunca foram juntos e caminhar sem plano. Custa a passagem e rende repertório, porque vocês voltam com nomes de lugares para as próximas vezes.
De graça, duração de 2 horas
Feira de rua no fim da manhã
Andar a feira inteira, conversar com quem vende, provar o que der. Se comprarem o almoço ali, o programa se paga contra o que gastariam no mercado.
De graça, duração de 1 hora e meia
Na prática: Depois das onze os preços caem porque ninguém quer levar de volta. Antes das nove tem mais variedade.
A caixa de fotos
Abrir juntos as fotos dos primeiros anos de vocês. É o programa de custo zero que mais rende conversa, e o que praticamente ninguém lembra de fazer.
De graça, duração de 1 hora
Até R$ 50 por pessoa
Esta é a faixa mais útil e a mais ignorada, porque fica no meio: acima do gratuito, muito abaixo do jantar. É onde mora a maioria dos programas que dá para repetir toda semana sem pesar.
Café da manhã fora num dia útil
Padaria boa, quarenta minutos mais cedo, antes do trabalho. O melhor retorno por real gasto desta lista inteira, porque acontece num dia em que ninguém esperava nada.
Até R$ 50, duração de 1 hora
Sessão da tarde no cinema
Sessão antes das seis, em dia útil se der. Sala vazia, ingresso bem mais barato que o da noite e a noite inteira ainda pela frente.
Até R$ 50, duração de 3 horas
Na prática: A pipoca do cinema costuma custar quase o mesmo que o ingresso da tarde. Comer antes ou depois muda a conta pela metade.
Sobremesa em outro bairro
Jantar em casa e sair só para a sobremesa, num lugar que exija atravessar um pedaço da cidade. O deslocamento é metade do programa.
Até R$ 50, duração de 1 hora e meia
Happy hour de balcão, com hora para sair
Duas rodadas no balcão, combinadas antes. O que encarece bar não é o preço da bebida, é a falta de combinado sobre quando parar.
Até R$ 50, duração de 2 horas
Na prática: Decidam quanto vão gastar antes de entrar e peçam a conta junto com a última rodada. Resolve sozinho.
Piquenique de mercado, não de delicatessen
Pão, queijo, fruta e uma bebida comprados no mercado do bairro, num parque. A versão comprada em loja especializada custa três vezes mais e não fica melhor.
Até R$ 50, duração de 2 horas
Show pequeno ou bar com música ao vivo
Casas pequenas cobram couvert baixo em noites de semana, e o artista toca para trinta pessoas em vez de trezentas. É melhor que o show grande, e custa uma fração.
Até R$ 50, duração de 3 horas
Na prática: Terça e quarta são as noites com couvert mais barato na maioria das casas pequenas.
De R$ 50 a R$ 150 por pessoa
Aqui já cabe um jantar de verdade, desde que vocês escolham bem o dia e o tipo de casa. É a faixa para uma ou duas vezes por mês, não para toda semana.
Jantar em dia de semana, num lugar que enche no sábado
O mesmo restaurante, a mesma cozinha, numa terça. Costuma sair mais barato, não tem espera e o serviço fica visivelmente melhor porque o salão não está no limite.
R$ 50 a R$ 150, duração de 2 horas
Na prática: Muitas casas boas têm menu executivo à noite no meio de semana, e quase nenhuma anuncia isso direito. Vale ligar e perguntar.
Almoço no lugar caro, em vez do jantar
Restaurante que vocês acham fora do orçamento à noite costuma ter almoço por metade do preço, com a mesma cozinha. É o truque mais eficiente desta lista.
R$ 50 a R$ 150, duração de 2 horas
Aula avulsa de alguma coisa
Cerâmica, massa fresca, dança, escalada indoor. Aula experimental e avulsa existe em quase todo estúdio, é bem mais barata que o pacote e ninguém precisa se comprometer com nada depois.
R$ 50 a R$ 150, duração de Meio período
Rodízio de bairro, não de rede
Cantina de bairro, pizzaria de esquina, boteco com comida de panela. Comida boa por preço honesto vive longe das ruas com manobrista.
R$ 50 a R$ 150, duração de 2 horas
Dia de praia ou serra sem dormir fora
Sair cedo e voltar à noite corta o maior custo de uma escapada, que é a hospedagem. Perto das capitais quase sempre tem algo a duas horas de carro. Vale olhar as opções em destinos antes de decidir.
R$ 50 a R$ 150, duração de Um dia
Na prática: Combustível e pedágio dividido entre dois costuma ser mais barato que dois ônibus. Vale fazer a conta antes.
Ingresso de teatro na promoção da semana
Boa parte das casas de teatro tem meia-entrada ampliada ou desconto fixo em algum dia da semana, e as peças de temporada curta costumam ter os melhores preços na estreia.
R$ 50 a R$ 150, duração de 3 horas
O que muda uma noite é o contexto ser diferente do de sempre. Contexto é bairro, horário e dia da semana, e nenhum dos três está à venda.
Onde o dinheiro some sem vocês perceberem
Quando um programa barato estoura, quase sempre é por um destes quatro. Nenhum deles é a conta do restaurante.
- Transporte por aplicativo em horário de pico, nos dois sentidos. Costuma somar mais que o prato principal, e é o único item que ninguém coloca no orçamento antes de sair.
- A rodada que ninguém combinou. Bar sai barato até a terceira. O custo não está no preço da bebida, está na ausência de um combinado sobre onde parar.
- A entrada e a sobremesa pedidas por impulso. Juntas costumam acrescentar metade do valor do prato principal, e raramente são a parte de que vocês lembram depois.
- Comprar o programa no sábado à noite. O mesmo cinema, o mesmo restaurante e o mesmo estacionamento custam mais caro no horário em que todo mundo quer. Mudar o dia é o desconto mais fácil que existe.
Três trocas que cortam a conta pela metade
- Trocar a noite pelo dia. Almoço no lugar caro em vez de jantar, sessão da tarde em vez da sessão das nove, praia em dia útil em vez de domingo.
- Trocar o sábado pela terça. É a mesma cidade com um terço das pessoas e preços visivelmente melhores, do ingresso à hospedagem.
- Trocar a rua badalada pelo bairro ao lado. Quase toda região cara tem uma vizinha a dez minutos com comida igual ou melhor, por metade do preço.
As três valem tanto para a própria cidade quanto para viagem. Se quiserem ver como isso muda um fim de semana fora, os programas de escapada por cidade já trazem a estimativa de custo junto.
Perguntas frequentes
- O que fazer num date sem gastar nada?
- Pôr do sol num mirante, museu no dia de entrada gratuita, caminhar num bairro onde vocês nunca foram juntos e feira de rua no fim da manhã são os quatro que mais rendem por custo zero. O que faz esses programas funcionarem não é o preço, é acontecerem num lugar ou horário fora do habitual de vocês.
- Quanto custa em média um date no Brasil?
- Varia muito por cidade, mas a faixa mais comum de um programa completo em capital fica entre R$ 50 e R$ 150 por pessoa, incluindo comida e deslocamento. Abaixo de R$ 50 já cabe cinema em sessão da tarde, café da manhã fora ou bar com couvert baixo em dia de semana.
- Como economizar em programas a dois sem que fiquem sem graça?
- Mude o dia e o horário antes de mudar o lugar. Almoço em vez de jantar no mesmo restaurante, terça em vez de sábado, sessão da tarde em vez da noite. Vocês mantêm o mesmo programa e a conta cai, muitas vezes pela metade, sem que nada da experiência piore.
- Programa barato funciona para comemorar data especial?
- Funciona, desde que tenha alguma coisa que marque a data. Costuma render mais um programa simples num lugar novo para os dois do que um jantar caro num lugar já conhecido, porque memória se prende a novidade e não a preço.
- Vale a pena sair no meio da semana?
- Vale, e é o conselho mais consistente deste guia. Meio de semana tem preço mais baixo em quase tudo, do ingresso à hospedagem, não tem espera e o serviço é melhor porque o lugar não está cheio. E tem um efeito que sábado não tem: quebra a semana no meio, em vez de fechar o fim dela.

