Viagem para casal: como escolher o destino que funciona para os dois

Quase toda lista de viagem romântica traz os mesmos vinte lugares, na mesma ordem, com as mesmas fotos. O problema é que ela responde à pergunta errada. Não existe o melhor destino para casal; existe o destino que combina com o que vocês dois querem desta viagem, e essa conversa costuma ficar para depois da passagem comprada.

Por 13 min de leitura

Igreja colonial de Paraty iluminada ao anoitecer, com barcos coloridos no cais e a serra azulada ao fundo refletida na água

Escolher pelo ranking gera dois tipos de viagem ruim. Na primeira, o lugar da moda está lotado e ninguém descansa. Na segunda, um queria praia e rede, o outro queria museu e restaurante, e os dois passam a semana negociando. Nenhuma das duas é culpa do destino; é falta de uma conversa de cinco minutos antes de escolher.

Por isso os destinos abaixo estão organizados pelo tipo de viagem e, depois, pelo tempo que vocês têm. Para cada um: por que funciona a dois, a melhor época e o que evitar. Para ver todos lado a lado, a página de destinos para casais reúne as cidades com descrição e época de cada uma.

Antes do destino, a conversa

O desencontro mais comum numa viagem a dois é de expectativa, não de gosto. Um imagina acordar sem despertador e não sair da pousada; o outro montou uma agenda com três passeios por dia. Os dois estão certos sobre o que querem, só não falaram.

  1. Cada um escreve, sozinho, três coisas de que não abre mão nesta viagem. Coisas concretas: dormir até tarde, comer bem, ver o mar, não pegar estrada longa, ter pelo menos um dia sem programação.
  2. Cada um escreve também uma coisa que não quer de jeito nenhum. Frio, multidão, trilha pesada, cidade grande.
  3. Juntem as listas. O que aparece nas duas vira critério; o que só aparece numa entra se couber. O que um dos dois vetou sai da mesa sem discussão.
  4. Só então olhem os destinos. Com três ou quatro critérios na mão, as opções caem de dezenas para duas ou três.
Quando um quer descanso e o outro quer agenda, a saída raramente é meio a meio. Funciona melhor um destino com as duas coisas perto uma da outra.

Praia para desligar

É a viagem de quem chega cansado e quer passar dias sem decidir nada mais complicado que a hora do almoço. O que faz uma praia funcionar para isso não é a beleza da foto: é o destino ser pequeno o bastante para não exigir carro nem planejamento diário.

  • Morro de São Paulo (BA)

    Ilha sem carro, onde tudo se faz a pé. As praias são numeradas, e isso ajuda casal com ritmos diferentes: a Segunda Praia é a agitada, a Quarta é a que sobra quando vocês querem sossego. Mais em Morro de São Paulo a dois.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: Melhor de março a maio ou de setembro a novembro. Fora disso, o verão lota e o meio do ano costuma ter mais chuva.

  • Ilha do Mel (PR)

    Sem carro e sem rua asfaltada: vocês andam pela praia de um lado ao outro da ilha. A estrutura é simples de propósito, e é exatamente isso que faz a Ilha do Mel funcionar para quem quer desligar. Não é lugar para quem precisa de restaurante sofisticado toda noite.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Março a maio e agosto a novembro têm temperatura amena. Levem pouca bagagem: tudo se faz a pé.

  • Porto de Galinhas (PE)

    As piscinas de coral se formam na maré baixa e são alcançadas de jangada. A vila é pequena, com restaurante na areia, e o Pontal de Maracaípe rende um fim de tarde calmo. Detalhes em Porto de Galinhas para casais.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: Setembro a março é a época com menos chuva. Confiram a tábua de marés antes de montar os dias: o passeio das piscinas depende dela.

  • Jericoacoara (CE)

    Vila de rua de areia, cercada por dunas e lagoas de água doce como a Lagoa Azul. No fim do dia todo mundo sobe na duna para ver o sol cair no mar. Jericoacoara pede mais dias porque chegar leva tempo, mas compensa para quem quer uma pausa longa.

    Acima de R$ 300, duração de 5 a 7 dias

    Na prática: De junho a janeiro chove menos. Não é destino de fim de semana para quem mora longe do Ceará.

  • Alter do Chão (PA)

    Praia de rio, com água clara e banco de areia que muda de lugar conforme o nível do Tapajós. A vila se atravessa a pé em dez minutos. Alter do Chão é para casal que já fez muita praia de mar e quer outra coisa.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: Vão na seca, de junho a novembro. Com o rio cheio, boa parte das praias simplesmente não existe.

Tem mais opções de litoral, do Nordeste ao Sul, em destinos de praia para casais.

Serra e frio

Serra é a viagem romântica clássica por um motivo prático: o frio empurra vocês para dentro. Lareira, jantar demorado, vinho, uma trilha curta de manhã. É o destino mais fácil de acertar quando os dois querem conversar mais do que passear.

  • Monte Verde (MG)

    Vilarejo de montanha a 1.500 metros, onde a lareira funciona a maior parte do ano. Trilha de manhã, fondue à noite e pouca coisa entre uma e outra. Monte Verde é para quem quer a serra sem agenda.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Abril a setembro é o período seco. Feriado prolongado de inverno enche a vila.

  • Campos do Jordão (SP)

    Mais estrutura que Monte Verde, com restaurante, loja e movimento na Vila Capivari, e natureza perto, como o Horto Florestal e o Parque Amantikir. Campos do Jordão funciona bem para o casal em que um quer sossego e o outro quer ter o que fazer à noite.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Julho é o mês mais disputado. Março a maio ou agosto a novembro têm clima agradável com menos gente.

  • Gramado e Canela (RS)

    Serra gaúcha com fondue, chocolate e vinícola a poucos quilômetros. Gramado concentra o movimento; Canela, vizinha, é um pouco mais calma. Dá para se hospedar numa e passar o dia na outra.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: O frio é o programa, e por isso a região fica cheia entre maio e agosto. Outono e primavera têm temperatura amena e cidade mais vazia.

  • Petrópolis (RJ)

    A cidade de veraneio da família imperial, a cerca de uma hora do Rio e alguns graus mais fria. Museu de manhã, cervejaria artesanal à tarde. Petrópolis resolve bem a escapada de quem mora no Rio e tem só o sábado e o domingo.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Abril a junho e agosto a outubro evitam o calor e as chuvas fortes do verão.

Outras cidades de altitude estão reunidas em destinos de serra e frio.

Cidade histórica

É o meio-termo que mais resolve casal desalinhado. Tem o que ver para quem gosta de agenda, tem rua de pedra para andar sem pressa para quem quer só estar junto, e quase sempre tem restaurante bom. Como tudo fica perto, ninguém precisa abrir mão do seu ritmo.

  • Paraty (RJ)

    Centro histórico fechado para carro, casario branco e a maré que às vezes entra nas ruas. As escunas saem do cais e as cachoeiras ficam na estrada para Cunha, então Paraty junta cidade antiga, mar e mata na mesma viagem.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Abril a junho e agosto a outubro. Sapato fechado e sem salto: a pedra do centro é irregular de verdade.

  • Tiradentes (MG)

    Cidade pequena de igreja barroca e restaurante bom demais para o tamanho dela. Se a agenda coincidir, os concertos de órgão na Igreja Matriz são um programa diferente de tudo. Tiradentes se conhece a pé em um fim de semana.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Abril a setembro é a época seca. Em semana de festival a cidade lota; confiram o calendário antes de fechar a data.

  • Diamantina (MG)

    Cidade do ciclo do diamante, com ladeira, casario tombado e serestas que acontecem na rua às sextas e aos sábados. As cachoeiras ficam a poucos quilômetros do centro. Diamantina pede pelo menos três dias para a viagem não virar só estrada.

    Acima de R$ 300, duração de 3 a 4 dias

    Na prática: Programem a viagem para incluir uma sexta ou um sábado à noite, por causa das serestas.

  • Pirenópolis (GO)

    Vila colonial com ruas de pedra, ateliês e cachoeira de água limpa por perto. Pirenópolis é a escapada natural de quem mora no Centro-Oeste e quer trocar o concreto por pedra e mato em dois dias.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Maio a setembro é a seca, com dia claro e noite fresca.

Natureza e aventura leve

Para casal que descansa se mexendo. A palavra-chave é leve: passeios que os dois conseguem fazer sem preparo físico especial, com a recompensa no fim do dia. Nesses destinos, reservar com antecedência não é detalhe, porque vários passeios têm vaga limitada.

  • Bonito (MS)

    Flutuação em rio cristalino, como na Nascente Azul, e gruta, como a do Lago Azul. É natureza organizada: os passeios têm horário, guia e estrutura, o que agrada quem não quer improvisar. Mais em Bonito para casais.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: Abril a outubro tem menos chuva. Comprem os passeios principais antes de viajar.

  • Lençóis, na Chapada Diamantina (BA)

    Base para cachoeira, gruta e poço azul, a distâncias que vão de trinta minutos a um dia inteiro de trilha. Isso permite dosar: um dia puxado, um dia leve. A vila de Lençóis é pequena e colonial.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 7 dias

    Na prática: Março a maio ou setembro a novembro.

  • Chapada dos Veadeiros (GO)

    Cerrado de altitude, cânion e cachoeira alta em quase toda trilha. É a opção mais exigente da lista: a Chapada dos Veadeiros tem percursos que levam o dia inteiro, então combina com casal em que os dois gostam de andar.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: Maio a setembro é o período seco. As entradas do parque exigem agendamento.

Gastronomia como motivo da viagem

Para casal que organiza o dia em volta das refeições e não vê problema nisso. A vantagem é que funciona com qualquer clima: chuva não estraga almoço. Há mais opções em destinos gastronômicos.

  • Belém (PA)

    Uma das cozinhas mais originais do país, feita de tucupi, jambu e frutas que não existem em outro lugar. Comecem pelo mercado de manhã cedo, quando ele ainda é dos ribeirinhos. Belém é viagem para comer e voltar com repertório.

    Acima de R$ 300, duração de 4 a 5 dias

    Na prática: Junho a novembro é a estação seca.

  • Bento Gonçalves (RS)

    Vinícola a cada poucos quilômetros no Vale dos Vinhedos, e comida italiana em porção generosa, o que costuma exigir uma tarde livre depois. Bento Gonçalves combina bem com alguns dias em Gramado.

    Acima de R$ 300, duração de fim de semana

    Na prática: Março a maio ou setembro a novembro. Se forem visitar vinícolas, decidam antes quem dirige, ou contratem transporte.

  • Morretes (PR)

    Vila colonial no pé da Serra do Mar, conhecida pelo barreado servido em panela de barro. O trem que desce de Curitiba passa por túnel e viaduto e é metade do programa. Morretes cabe num sábado para quem está em Curitiba.

    R$ 150 a R$ 300, duração de um dia

    Na prática: Março a maio e agosto a novembro têm temperatura amena.

Pelo tempo que vocês têm

Escolher pelo estilo resolve metade. A outra metade é o calendário: destino longe demais para os dias disponíveis vira viagem de estrada e aeroporto com um pouco de passeio no meio.

Fim de semana

Regra prática: se a ida e a volta somadas comem mais de um quarto do tempo livre, o destino é longe demais para dois dias. Prefiram um lugar a poucas horas de casa, com uma base só e sem precisar de carro lá dentro. Se o orçamento estiver curto, o guia de viagens baratas para casal mostra onde o dinheiro de uma escapada realmente vai.

De 4 a 7 dias

Com quatro dias ou mais, vale o destino distante e vale combinar dois lugares próximos, desde que o segundo seja complemento: Gramado com um dia em Canela ou em Bento Gonçalves, Tiradentes com o trem até São João del Rei. Mais de duas bases numa semana cansa, porque cada troca de hospedagem consome meio dia. E em destino longe, como Jericoacoara ou Bonito, contem o primeiro e o último dia como deslocamento.

Quando ir e o que evitar

  • Alta temporada cobra duas vezes, no preço e na lotação: dezembro a fevereiro na praia, julho na serra. Meia estação entrega o mesmo lugar com bem menos fila.
  • Feriado prolongado lota até destino pequeno. Se não houver outra data, reservem cedo e escolham o destino menos óbvio da região.
  • Em destino de rio e cachoeira, como Alter do Chão, Bonito e as chapadas, a estação de chuva muda o que dá para fazer, não só o clima.
  • Evento local transforma cidade pequena. Festival em Tiradentes ou festa de inverno na serra são ótimos para quem vai por causa deles e péssimos para quem queria sossego.
  • Não planejem todos os dias. Deixem pelo menos meio dia sem nada marcado; é nele que costuma acontecer o melhor da viagem.

E se for lua de mel

Lua de mel costuma ter mais dias que uma escapada e aguenta destino mais longe, como Jericoacoara, Porto de Galinhas ou Bonito. Um cuidado a mais: depois de meses organizando casamento, o casal quase sempre precisa de mais descanso do que imagina. Há uma seleção em destinos de lua de mel.

Se a viagem ainda está longe, dá para manter o ritmo na própria cidade com estas ideias de programa a dois.

Perguntas frequentes

Qual o melhor lugar para viajar a dois no Brasil?
Depende do que os dois querem. Para descansar, praia pequena e sem carro, como Morro de São Paulo ou Ilha do Mel. Para frio e lareira, Monte Verde ou Gramado. Para agenda e sossego ao mesmo tempo, cidade histórica como Paraty ou Tiradentes. Para natureza com estrutura, Bonito.
Qual destino romântico dá para fazer em um fim de semana?
Um que fique a poucas horas de casa e tenha uma base só: Monte Verde, Campos do Jordão, Petrópolis, Paraty e Tiradentes no Sudeste; Pirenópolis no Centro-Oeste; Ilha do Mel no Paraná. Se ida e volta comerem mais de um quarto do tempo livre, é longe demais para dois dias.
Qual a melhor época para uma viagem de casal?
Meia estação costuma ser o melhor equilíbrio: março a maio e agosto a novembro servem para boa parte do Sul e do Sudeste. No Pará, junho a novembro é a seca. Para descansar, evitem dezembro a fevereiro na praia e julho na serra.
Como escolher o destino quando um quer praia e o outro quer cidade?
Cada um lista três coisas de que não abre mão e uma que não quer de jeito nenhum. Depois procurem um destino com as duas coisas perto, como Paraty, que junta centro histórico e passeio de barco. Alternar os dias entre o programa de um e o do outro funciona melhor que dividir cada dia ao meio.
Quantos dias são suficientes para uma viagem romântica?
Dois dias bastam para destino perto e pequeno. Destino distante pede de quatro a sete, porque o primeiro e o último dia costumam ir para o deslocamento. Mais importante que o número de dias é não trocar de hospedagem mais de uma vez.