Viagem barata não é destino barato: é decidir para onde vai o dinheiro
Muita viagem a dois morre antes de começar, numa frase: "agora não dá". Quase sempre ninguém fez a conta. Existe só a lembrança da última viagem cara e a sensação de que toda viagem é aquela. Viajar barato não depende de achar o destino mais barato do país. Depende de decidir, antes, para onde o dinheiro vai e para onde ele não vai.
Por Equipe RotaDois12 min de leitura

Duas viagens para o mesmo lugar podem custar o dobro uma da outra. O destino é igual; o que muda é a semana escolhida, onde vocês dormem, como chegam e onde comem. Por isso este guia começa pelos gastos e só depois chega aos destinos. Se vocês ainda estão decidindo o tipo de viagem, o guia de viagem para casal ajuda a escolher entre praia, serra e cidade. Aqui a pergunta é outra: como fazer caber.
Não há aqui preço de diária, passagem ou combustível, porque isso muda toda semana. Os valores aparecem em faixas por pessoa e em proporção.
Onde o dinheiro de uma viagem a dois escapa
Quando uma viagem curta sai cara, quase sempre o motivo está numa destas quatro linhas. Nenhuma delas é o programa que vocês foram fazer.
- Hospedagem na alta temporada. Costuma ser o maior gasto da viagem, e é o que mais varia com a data. A mesma pousada cobra bem mais em feriado, férias escolares e na estação que deu fama à cidade.
- Deslocamento. Tem a ida, a volta, o estacionamento e o carro de aplicativo entre um ponto e outro. Destino que exige avião num fim de semana de dois dias gasta boa parte do dinheiro e do tempo no caminho.
- Comer na rua mais turística. A rua com vista e alguém na porta chamando cobra pelo endereço. Duas quadras para dentro, a mesma comida sai por bem menos.
- O passeio pago que não era prioridade. Passeio de barco, parque temático, ingresso de atração famosa: um por viagem pode ser o motivo de ir. Três ou quatro, comprados porque "já que estamos aqui", viram a maior parte da conta sem que ninguém tenha escolhido isso.
Como cortar sem estragar a viagem
Cortar não é tirar o que faz a viagem valer a pena. É tirar o que vocês pagariam sem nem lembrar depois. Estas trocas mantêm a experiência e mudam a conta.
- Mudar a data antes de mudar o destino. Sair de domingo a terça em vez de sexta a domingo, ou ir no mês depois da temporada, costuma baratear a hospedagem mais do que trocar de cidade.
- Dormir perto, não em cima. A pousada a dez minutos a pé do centro histórico ou da praia principal cobra menos que a da rua principal, e vocês andam esse trecho de qualquer jeito.
- Escolher um passeio pago por viagem e deixar o resto de graça. Mirante, trilha, praia, rua de pedra, praça no fim da tarde: quase todo destino bom tem mais programa gratuito do que dá tempo de fazer.
- Trocar o jantar caro pelo almoço. A mesma cozinha, no almoço, costuma custar bem menos.
- Diminuir o raio. Um destino a poucas horas de carro ou de ônibus corta o custo de chegar e devolve o sábado inteiro para a viagem, em vez de metade dele na estrada.
Viagem barata é a que gasta onde vocês escolheram gastar. O resto é dinheiro que ninguém decidiu usar.
Combinem o teto antes de escolher o destino
A briga de dinheiro numa viagem quase nunca é sobre o valor. É sobre surpresa: um dos dois achou que ia gastar uma coisa, o outro outra, e a diferença aparece na conta do restaurante no sábado à noite. Combinar antes tira a surpresa do caminho.
- Cada um diz quanto se sente confortável gastando no total, sem ouvir o número do outro antes. Vale o menor dos dois números. Quem pode mais não precisa provar nada; quem pode menos não precisa se justificar.
- Separem o teto em três partes: dormir, chegar e o resto. Se dormir e chegar comem quase tudo, o problema é o destino ou a data, não os passeios.
- Escolham juntos a única coisa em que vão gastar sem culpa. Pode ser o jantar da noite, pode ser o passeio de barco.
- Deixem uma pequena margem para o imprevisto, e combinem que ela não é para a terceira rodada de sábado.
Essa conversa leva dez minutos e ainda resolve a assimetria de sempre, em que um planeja e o outro só aparece: quando os dois definem o teto, os dois são donos da viagem.
Bate-volta e uma noite fora: os formatos mais baratos
Com pouco tempo e pouco dinheiro, os formatos que mais rendem são o bate-volta, que elimina a hospedagem, e a escapada de uma noite só, que paga uma diária em vez de duas. As faixas abaixo são por pessoa e incluem deslocamento dividido e comida.
Bate-volta de praia, com almoço de barraca
Sair cedo, passar o dia numa praia calma e voltar com o sol baixando. Para quem mora em Vitória, Guarapari funciona assim: as praias do sul são mais vazias que a orla central, e a Barraca do Edmilson, em Meaípe, tem preço de quem não está atrás de turista.
R$ 50 a R$ 150, duração de Um dia
Na prática: Levem água e fruta de casa. O que encarece o dia de praia é o que se compra na areia por falta de opção.
Bate-volta de serra para comer o prato da cidade
Descer de Curitiba até Morretes, vila colonial no pé da Serra do Mar, para almoçar barreado servido em panela de barro e caminhar pelo centro antes de voltar. O almoço é o programa; o resto é de graça.
R$ 50 a R$ 150, duração de Um dia
Na prática: O trem que desce da capital é metade da graça, mas é um gasto à parte. Se o teto é curto, vão de carro ou de ônibus e deixem o trem para outra vez.
Uma noite em cidade histórica, chegando cedo
Chegar no sábado de manhã e voltar no domingo à tarde rende quase tanto quanto duas noites. Em Tiradentes, o dia inteiro cabe a pé: igrejas barrocas, a Praça Largo das Forras para ver o movimento no fim da tarde e o almoço mineiro em Bichinho, no Tempero da Angela, que é self-service e acessível.
R$ 150 a R$ 300, duração de Uma noite
Na prática: Pousada fora do centro histórico e sábado fora de feriado são as duas escolhas que mais seguram essa faixa.
Duas noites em baixa temporada, no meio da semana
Com uma segunda e uma terça livres, a pousada que era inviável em janeiro passa a caber. É o formato mais caro desta lista e, ainda assim, costuma sair mais em conta que um feriado no mesmo lugar.
Acima de R$ 300, duração de Duas noites
Na prática: Perguntem direto à pousada se há preço diferente para dias úteis. Muitas praticam e não anunciam.
Perto de casa: fim de semana de carro ou de ônibus
O destino barato mais confiável é o que fica a poucas horas de onde vocês moram. Não precisa ser famoso; precisa ter programa gratuito para ocupar um dia inteiro.
Tiradentes, para quem está em Minas
Tiradentes funciona barato porque o melhor da cidade é andar: o centro histórico se percorre inteiro a pé, e a Praça Largo das Forras, com mesinhas na calçada, é onde a cidade se reúne no fim da tarde. Para comer bem gastando pouco, a Dona Xica serve comida mineira em ambiente pequeno, e na estrada para Bichinho o Pau de Angu tem mesa de madeira e cardápio de fazenda. Se couber um gasto, que seja o concerto de órgão na Igreja Matriz, à noite. Mais sobre a cidade em Tiradentes.
Curitiba e Morretes, para quem está no Paraná
Curitiba é uma das capitais em que dá para passar o dia sem pagar entrada em nada. O Jardim Botânico Municipal tem entrada gratuita, o Passeio Público fica no centro com lago e viveiro de pássaros, e o Parque São Lourenço tem lago e trilha tranquila. O almoço resolve no Mercado Municipal, do sanduíche de mortadela ao barreado. No dia seguinte, a descida para Morretes fecha a viagem. Vejam Curitiba e Morretes.
Guarapari, para quem está no Espírito Santo ou em Minas
Praia capixaba de areia escura, com a Praia do Morro concentrando o movimento e as praias do sul mais vazias. O Mirante da Amora tem acesso gratuito e vista do litoral, a Praia Bacutia tem escadaria entre a vegetação e calçadão para caminhar no fim da tarde, e o Tômbolo do Pontal de Setiba é uma faixa de areia clara cercada de água calma, boa para passar a manhã. É praia de dia inteiro sem ingresso nenhum. Mais em Guarapari.
Pirenópolis, para quem está em Brasília ou Goiânia
Vila colonial de ruas de pedra, ateliês e cachoeiras perto do centro. O centro histórico é de graça e ocupa bem uma tarde; as cachoeiras são o motivo da viagem, e muitas ficam em áreas particulares com entrada cobrada, então escolham uma ou duas em vez de tentar todas. A melhor época vai de maio a setembro, na seca. Mais em Pirenópolis.
Monte Verde, para quem está em São Paulo ou no sul de Minas
Vilarejo de montanha onde a lareira funciona a maior parte do ano. O programa de lá é trilha de manhã, que não custa nada, e fondue à noite, que custa. Com teto curto, invertam a proporção: duas trilhas e um jantar só. Mais em Monte Verde.
Baixa temporada: onde esperar vale a pena
Alguns destinos são caros por causa de uma estação, não por causa deles. Fora dela, a hospedagem cai e as ruas esvaziam. Nestes, mudar o mês pesa mais que qualquer outra economia.
Paraty, fora do verão e dos feriados
Rua de pedra irregular fechada para carro, casario branco e a maré que às vezes entra no centro histórico. Andar pelo centro é de graça e é o melhor da cidade. A melhor época vai de abril a junho e de agosto a outubro, fugindo do calor forte e das chuvas do verão. Para comer, a Pizzaria da Cidade, no centro histórico, tem forno a lenha e resolve o jantar sem susto. Se for para escolher um passeio pago, a escuna que sai do cais é a candidata natural. Mais em Paraty.
Florianópolis, entre março e maio ou setembro e novembro
Fora do verão, o clima segue agradável e a conta muda de figura. Programa gratuito não falta: caminhar pela Beira-Mar Norte no fim da tarde, ver a ponte Hercílio Luz do mirante na Praça da Comunidade e fazer o caminho a pé pela Costa da Lagoa, entre mata e água. Mais em Florianópolis.
Campos do Jordão e Gramado, fora do inverno
Duas das cidades de serra mais procuradas do país enchem justamente quando faz frio, e o preço acompanha. Fora do inverno, a serra continua lá. Em Campos do Jordão, o Parque da Lagoinha tem trilhas sinalizadas e lago, e o Mirante Vista Chinesa mostra a Serra da Mantiqueira de um dos pontos mais altos da cidade. Gramado fica cheia entre maio e agosto; fora disso, o fondue, o chocolate e a vinícola a poucos quilômetros seguem ali, com menos fila. Vejam Campos do Jordão e Gramado.
Quando a viagem não cabe neste mês
Às vezes a conta mostra que agora não dá mesmo. Isso não é motivo para passar o mês sem programa: um date bem escolhido na própria cidade tira vocês do de sempre, por uma fração do custo. O guia de date barato para casais tem ideias do de graça até R$ 150 por pessoa, e há programas prontos para quem está em Curitiba, Brasília e Belo Horizonte, entre outras cidades.
E se vocês preferem receber tudo pronto em vez de montar, é isso que o RotaDois faz: vocês contam o que os dois gostam e quanto querem gastar, e o programa chega com os lugares, a ordem que faz sentido e o custo estimado. Os dois votam no que entra, e dá para compartilhar por link. No plano grátis são 5 programas por mês por casal; o Casal+ libera sem limite.
Perguntas frequentes
- Qual o lugar mais barato para viajar a dois no Brasil?
- O mais barato costuma ser o destino bom mais perto de onde vocês moram, visitado fora da temporada. Distância e data pesam mais na conta que o destino em si. Cidades históricas pequenas, praias fora do verão e capitais com parques gratuitos, como Curitiba, rendem bastante com pouco.
- Quanto custa uma viagem de fim de semana para casal?
- Depende principalmente da hospedagem e do deslocamento. Um bate-volta costuma caber entre R$ 50 e R$ 150 por pessoa, com comida e deslocamento dividido. Uma noite fora, com pousada simples e comida sem exagero, tende a ficar entre R$ 150 e R$ 300 por pessoa. Feriado e alta temporada empurram tudo para cima.
- Qual a melhor época para viajar barato?
- Fora de feriado, fora das férias escolares e fora da estação que deu fama ao destino: serra fora do inverno, praia fora do verão. Dentro da semana, viajar de domingo a terça costuma custar menos que de sexta a domingo.
- Vale mais a pena ir de carro ou de ônibus?
- Para dois, o carro com combustível e pedágio divididos costuma empatar ou sair mais barato que duas passagens, principalmente em trajetos curtos. O ônibus ganha quando a estrada é cansativa ou quando o destino se faz todo a pé e o carro ficaria parado.
- Dá para fazer uma viagem de uma noite só?
- Dá, e é um dos melhores formatos para quem tem pouco tempo. Chegando no sábado cedo e saindo no domingo à tarde, vocês aproveitam quase dois dias pagando uma diária. Funciona melhor em destinos a poucas horas de casa, em que a estrada não come a manhã.

